quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A saudade nem sempre é boa

Havia uns 4 anos que eu não fazia aquele caminho. As ruas continuam estreitas. Algumas casas melhoraram, a grande maioria pode-se dizer, outras com o passar dos anos, os cupins estão dando uma aparência diferente.
Parque Passaúna. Voltei a minha infância. Íamos de ônibus sentados nos últimos bancos com meu irmão, cantando diversas músicas e achando que éramos a Sandy e o Junior, quando passávamos na frente da represa nossos olhos brilhavam ao ver o ''rio''.
Nostalgias me tomaram por completo. Com tudo isso, um aperto tomou meu coração e entendi o porque fazia tanto tempo que não ia na casa da minha avó (há quem diga que sou uma neta desnaturada). As vezes temos atitudes ou deixamos de ter por algum motivo que não entendemos. Enfim, quanto mais nos aproximávamos da casa dela, mais eu engolia o choro que estava preso na garganta.
''A ficha caiu'' meu avô não estaria lá. Sempre quando chegávamos ele estava esperando com seu sorriso doce, nos via pela janela, e abria a porta correndo, perguntava como estávamos. Dava um abraço apertado. Entrávamos, ele sentava no seu sofá e sempre com a tv ligada e com o radinho preto perto dos ouvidos, ouvindo o jogo do Paraná Clube ou do Santos (os times que ele torcia).
Queria acreditar com todas as minhas forças que ele iria fazer isso novamente. Mas não, a realidade foi outra. Passamos por um lugar, minha mãe disse: ''lembra, foi aqui que seu avô foi velado''. Queria sair correndo do carro, queria voltar para casa, não poderia deixar meus pais ver o que realmente estava passando comigo, mas precisei buscar uma força lá dentro de mim, coloquei um sorriso no rosto (o que já é habitual em momentos como esse) e chegamos ao destino. Buzinamos, a vó abriu a porta, descemos do carro, e lá estávamos nós.
Entramos, a casa estava diferente desde a última vez que eu passei por ali, reformada, as plantações de couve, alface, cebolinha ainda estavam perto da porta. O tempo passou e a vó nunca deixou de fazer a mesma pergunta: '' e os namorados fia?''. Foi impossível não rir e falar: ''nada ainda vó'', porém me fez lembrar da ultima vez que estive com meu avô no hospital, onde ofereci chá e pão em sua boca, li a bíblia com ele, ele sorria mesmo não conseguindo falar mais nada. A médica havia dito, que no máximo em uma semana, ele receberia alta. Lembro que fiz ele prometer que ia no meu casamento, talvez essa tenha sido uma das únicas palavras que ele não cumpriu. Não construiu grandes coisas, não deixou um super legado e seu nome não é conhecido nacionalmente, mas aprendi muito com ele, seu carisma incrível, sua força de vontade, seu jeito humilde, trabalhador, não tinha tempo ruim pra ele, sempre com um sorriso estampado no rosto. Foi pai de 7 filhos, e  fui sua primeira neta menina, (o que ele sempre deixava claro para os outros netos, haha). Senti saudade do abraço dele.
Quando a vó falou, que o seu outro esposo estava dormindo já, foi um baque pra mim, eu não conheço e nem conheci o meu ''vôdrasto'', pensei como assim? Outro está dormindo na cama onde meu vô dormiu a vida inteira? Puro egoísmo da minha parte, ela já está com 68 anos, os filhos todos casados, ela precisava encontrar alguém pra viver o restante de vida ao lado dela. Jantamos. Ela como sempre, precisa encontrar algo para nos presentear, nem que ela tire do corpo dela, para que não saiamos de lá com as mãos fazias, logo, me presenteou com uma mantinha vermelha.
Já estava tarde, era hora de dar tchau. Dei uma volta no terreno da casa, vi o riozinho que passa perto, alguns cachorros latiram e, foi quando decidi entrar no carro rapidamente e voltar pra minha cidade, com mais lembranças ainda do meu ''veinho''. 
A uma conclusão cheguei, não posso ficar tanto tempo sem ir a casa dela novamente, acho que o trauma passou mesmo com esse sentimento esquisito chamado saudade ter aumentado e apertado o coração. 



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